Mais de um ano após o lançamento global, o headset da Apple enfrenta desafios de adoção, mas sinaliza direções promissoras para o futuro da computação espacial.

Uma chegada gradual ao mundo

O Apple Vision Pro expandiu sua disponibilidade para novos mercados em junho de 2024, chegando à Austrália, Canadá, China continental, França, Alemanha, Hong Kong, Japão, Singapura e Reino Unido. No entanto, o Brasil ainda não está na lista oficial de países atendidos.

O dispositivo está disponível a partir de US$ 3.499, com capacidades de armazenamento de 256 GB, 512 GB e 1 TB, o que no mercado brasileiro representaria algo entre R$ 25.000 e R$ 30.000, considerando impostos e taxas de importação.

Evolução técnica constante

A Apple apresentou em junho de 2025 o visionOS 26, uma grande atualização repleta de novos recursos e experiências espaciais inovadoras. As interações do dia a dia estão mais envolventes e pessoais, com widgets que se integram ao espaço e cenas espaciais que usam IA generativa para dar profundidade realista impressionante às fotos.

Agora a App Store inclui mais de 2.000 apps criados para o Apple Vision Pro, mais de 1,5 milhão de apps compatíveis para iOS e iPadOS, e inúmeros apps para Mac que tiram proveito da Tela Virtual do Mac.

Realidade de mercado: hype vs. adoção

Apesar das atualizações técnicas impressionantes, a recepção do público foi mista. Segundo relatórios do analista Ming-Chi Kuo, o interesse pelo Vision Pro nos EUA está “caindo consideravelmente”, com demanda diminuindo rapidamente após o lançamento.

O dispositivo simplesmente não se tornou o “próximo iPhone”, como a empresa esperava. Após o lançamento inicial, tanto a grande mídia quanto as redes sociais parecem ter perdido o interesse pelo Vision Pro.

Principais barreiras identificadas:

Preço proibitivo: Com US$ 3.499, é possível comprar três MacBooks ou três iPhones 15 Pro.

Ecossistema limitado: Para um dispositivo que custa US$ 3,5 mil, o número de aplicativos espaciais é relativamente baixo. Quando a App Store do iPhone foi lançada em 2008, ela tinha quase 100 mil apps e jogos.

Questões de usabilidade: Mesmo entusiastas admitem: “sim, ele é muito caro, pode ser desconfortável com o tempo de uso, a bateria não dura tanto quanto gostaríamos e ainda faltam apps que mostrem a que veio o dispositivo”.

Visão estratégica para agências

Apesar dos desafios, o Vision Pro representa um laboratório valioso para agências que querem se preparar para o futuro da computação espacial. A excepcional qualidade de sua tela e a surpreendente fusão entre a realidade e o virtual, com a capacidade de analisar o ambiente em tempo real e introduzir objetos 3D que interagem de forma dinâmica com o mundo real, oferecem insights únicos sobre design espacial.

Oportunidades para marcas:

  • Prototipagem de experiências imersivas: Testar conceitos antes de investimentos maiores
  • Narrativa tridimensional: Desenvolver storytelling que transcende telas
  • Treinamento e educação corporativa: Simulações realistas para capacitação

Ainda este ano, a Canon lançará uma nova lente espacial para sua popular câmera digital EOS R7, que permitirá gravar belíssimos vídeos espaciais. Usuários profissionais poderão editar seus vídeos espaciais no Final Cut Pro para Mac.

O horizonte da realidade mista

Segundo o analista Ming-Chi Kuo, a Apple tem planos de lançar uma versão atualizada do Vision Pro em 2025, e o Apple Vision Air, uma versão 40% mais leve, deve chegar em 2027.

Rumores apontam que o Apple Vision Pro 2 poderá ter preço entre US$ 1.499 e US$ 2.499, sendo significativamente mais barato que a primeira geração, através de uma maior variedade de fornecedores e otimizações na cadeia produtiva.

Para agências como a Canopus, a questão não é se a computação espacial se tornará mainstream, mas quando. O Vision Pro, mesmo com suas limitações atuais, oferece uma janela para entender como marcas podem se preparar para um futuro onde o design se torna espacial, o conteúdo vira presença e o storytelling ultrapassa os limites da tela.