Entre democratização e desafios éticos, o maior evento de tecnologia da América Latina revelou como a inteligência artificial está redefinindo os limites da comunicação e criatividade.
O Web Summit Rio 2025 reuniu mais de 34 mil participantes entre 28 de abril e 1º de maio, consolidando-se como o maior evento de tecnologia da América Latina. Com cinco pavilhões, palcos temáticos, competição de startups, masterclasses e meetups diversos, esta foi a terceira edição do evento no Rio de Janeiro, que seguirá recepcionando o encontro anualmente até 2030.
Se um tema dominou absolutamente os debates, da abertura aos painéis mais técnicos, foi a inteligência artificial generativa. E não apenas como ferramenta: a IA foi discutida como agente de transformação profunda, estando presente cross disciplinas em 100% das palestras.
A era da IA agêntica
O grande destaque foi o conceito de “IA agêntica”. Segundo Márcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina, “vivemos a era da IA agêntica. Esses sistemas pensam rápido, antecipam necessidades e já estão se movendo do mundo digital para o físico”.
Um agente autônomo de IA é um software de inteligência artificial que funciona sem muita supervisão humana. Ele entende a linguagem natural, define metas para si mesmo, planeja fluxos de trabalho, toma decisões, adapta-se a circunstâncias variáveis e, enquanto faz isso tudo, ainda aprende e se aprimora com as interações.
A evolução dos modelos de linguagem sinalizaram um futuro no qual a IA não apenas otimiza processos, mas também desbloqueia novas possibilidades inovadoras em escala, redefinindo o panorama tecnológico e empresarial global.
Impacto na comunicação e criatividade
Da democratização da IA generativa, como um catalisador de eficiência em departamentos diversos, o evento também destacou a emergente “IA física”, integrando a tecnologia em robôs para auxiliar no cotidiano.
Para a comunicação, isso significa:
Prototipagem acelerada: Ferramentas como MidJourney, Runway, ChatGPT-4o, Adobe Firefly e Sora permitem iterações mais rápidas
Personalização em escala: Campanhas adaptadas em tempo real baseadas em dados comportamentais
Narrativa volumétrica: Conteúdo que transcende as limitações bidimensionais
A transformação contínua na criação, distribuição e consumo em diversas plataformas foram tópicos comentados por executivos do YouTube, TikTok e Spotify. A evolução e a nova abrangência da criação de conteúdo foi uma das principais tendências abordadas no Web Summit Rio. O ponto de destaque é a transformação do criador para um empreendedor criativo.
O lado sombrio: questões éticas em debate
Neste ano, o grande foco das discussões foi a inteligência artificial, especialmente os desafios éticos, de regulação e de impacto no mercado de trabalho.
O ministro do Supremo Tribunal Federal Luis Roberto Barroso levou para o palco a urgência de se discutir uma regulação para sistemas de inteligência artificial. Em conversa com o chefe do ITS Rio, Ronaldo Lemos, Barroso destacou a velocidade da transformação digital: “O telefone fixo levou 75 anos para chegar a 100 milhões de usuários. O celular, 16 anos. A internet, sete. O ChatGPT, dois meses”.
As principais preocupações levantadas incluem:
Autoria e propriedade intelectual: Quem assina uma peça gerada por prompt?
Impacto no emprego: O futuro dos profissionais criativos de entrada
Viés algorítmico: Como evitar que as máquinas perpetuem preconceitos históricos
Transparência: A necessidade de supervisão humana e segurança jurídica
O futuro é colaborativo
Patrick Scripilliti, diretor executivo da TOTVS, trouxe um ponto de reflexão durante palestra para a ABF
Rio: “É importante ter uma visão pé no chão sobre inteligência artificial, menos buzz e mais resultado”.
O consenso entre especialistas aponta para um futuro onde “a tecnologia é um habilitador de negócios e não o próprio negócio”, seguindo a fórmula Tecnologia + Processos + Pessoas.
Para agências, designers e estrategistas, o recado é claro: a IA não é opcional — ela já está no briefing. Como se ouviu nos corredores do evento: “O Brasil não está se adaptando ao futuro. Ele está moldando o que vem depois”.
Fontes
Revista Exame – Cobertura Web Summit Rio 2025 / Fast Company Brasil – Análise sobre agentes de IA / Olhar Digital – Tendências do Web Summit Rio 2025 / E-Commerce Brasil – Impacto na inovação brasileira / ABF Rio – Palestras sobre IA e negócios

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